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IFTO dá início ao primeiro curso superior com metodologia da alternância no Bico do Papagaio

Reforma Agrária

Bacharelado em Engenharia Agronômica é ofertado pelo Campus Araguatins por meio do Pronera
por publicado: 28/04/2026 13h10 última modificação: 01/11/2026 23h48

O Instituto Federal do Tocantins (IFTO), por meio do Campus Araguatins, realizou, na manhã desta segunda-feira, 27, a aula inaugural do curso de bacharelado em Engenharia Agronômica ofertado pelo Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). A iniciativa marca o início de uma formação inédita na instituição e reforça o compromisso com a educação do campo na região do Bico do Papagaio.

A solenidade reuniu gestores, servidores, estudantes, representantes de instituições parceiras e movimentos sociais,Solenidade de abertura do curso de bacharelado em Engenharia Agronômica oferto por meio do Pronera pelo Campus Araguatins, do IFTO. marcando uma conquista construída de forma coletiva e voltada à ampliação do acesso ao ensino superior para atores do campo, remetendo a uma luta histórica de demanda por educação formal e de nível superior para assentados da reforma agrária. 

Os 50 estudantes, que vêm de diferentes comunidades e territórios, iniciam sua trajetória formativa que tem como base uma metodologia que escapa dos bancos da universidade para dentro dos territórios. Por meio da Pedagogia da Alternância, os educandos serão instruídos também nos territórios com o Tempo Comunidade.

Aí está a diferença de um curso formal tradicional para um curso superior que integra o Pronera, política que integra o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra): os estudantes aprendem na universidade e colocam os conhecimentos adquiridos em prática nas comunidades. Isto é, além de respeitar a sabedoria popular, ancestral e coletiva presentes nos territórios tradicionais, os estudantes têm acesso ao conhecimento científico desenvolvido nas instituições de ensino superior em uma articulação do que é denominado Tempo Universidade e Tempo Comunidade. 

“É uma conquista histórica, não só pela relevância temporal, mas de significado”, como lembrou o representante do Movimento Sem Terra (MST) no Tocantins, Pedro Gonçalves de Oliveira. “É importante que a agroecologia seja o tema principal desse curso, para que o nosso trabalho continue honrando quem entregou sua vida para que o Pronera se tornasse uma realidade, uma oportunidade para quem vive no campo”, completou. 

O diretor-geral do Campus Araguatins, Cláudio Galvão, reforçou o caráter histórico da iniciativa e a importância das parcerias institucionais para a sua concretização. Ele enfatizou que a implantação do curso é resultado da articulação entre IFTO, Incra e movimentos sociais, e reafirmou o compromisso institucional com a justiça social, integrando o conhecimento acadêmico às práticas e saberes do campo. 

Solenidade de abertura do curso de bacharelado em Engenharia Agronômica oferto por meio do Pronera pelo Campus Araguatins, do IFTO.O resultado dessa articulação reflete na diversidade da primeira turma do curso: mulheres e homens, jovens e adultos, que compartilham a sala de aula com um interesse em comum, o de aprender e se educar. Cícera Soares é um exemplo dessa obstinação. Ela mora no Projeto de Assentamento Santa Cruz, é assentada da reforma agrária, quebradeira de coco babaçu, apicultora e extrativista e, agora, estudante de Engenharia Agronômica no IFTO.

“A educação no campo é direito nosso e dever do Estado. Nós estamos aqui ocupando um espaço que foi feito por nós e para nós. Há muito tempo falamos que não queremos sair do campo, mas aprimorar o que já produzimos nele. Se, para isso, precisarmos sair para ir até a capital para estudar, nada mais justo que a educação venha até nós, aos nossos territórios e encontre os nossos saberes, que são muitos”, pontuou Cícera.

Wemerson da Silva Santos, do Acampamento Novo Recomeço, em Esperantina (TO), destacou a emoção de integrar a primeira turma do curso. “Nós, educandos e educandas do curso de Engenharia Agronômica pelo Pronera no IFTO, estamos vivendo intensamente cada momento dessa formação. A palavra que define esse início é gratidão”, afirmou. 

A pró-reitora de Assuntos Estudantis do IFTO, que representou o reitor Antonio da Luz Júnior na solenidade de aberturaSolenidade de abertura do curso de bacharelado em Engenharia Agronômica oferto por meio do Pronera pelo Campus Araguatins, do IFTO. do curso, Márcia Adriana, evidenciou o papel da formação na promoção de uma educação inclusiva e transformadora. Em sua fala, ela destacou a integração entre os saberes tradicionais dos povos da terra, das águas e das florestas com o conhecimento científico, apontando essa articulação como fundamental para a construção de soluções sustentáveis e para a transformação de realidades, objetivos do curso. 

A coordenadora institucional do curso, Marcia Regina Amado, ressaltou, ainda, o significado social e político do Pronera. Segundo ela, o programa nasce da mobilização dos movimentos sociais e representa uma educação comprometida com a emancipação. Para a coordenadora, a oferta do curso no Campus Araguatins configura um ato de resistência e reafirma o papel da educação como instrumento de transformação, consolidando o espaço acadêmico como um território de esperança. 

Confira mais fotos da aula inaugural.

(Com informações da Assessoria de Comunicação da ONG Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins - APA-TO - e da Coordenação de Comunicação e Eventos do Campus Araguatins)