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Novembro evidencia desafios das pessoas trans negras
Transfobia e racismo
O mês de novembro traz, na data do dia 20, o Dia da Consciência Negra e também o Dia Internacional da Memória Transgênero. A primeira simboliza a luta contra o racismo no Brasil, enquanto a segunda homenageia as pessoas vítimas da violência transfóbica. Nesse contexto, diversas instituições e associações ressaltam a complexidade das experiências vividas por pessoas trans negras no Brasil e no mundo. Buscam, nesse sentido, o reconhecimento da ancestralidade negra como parte da identidade travesti e trans.
No mês dedicado à luta, à memória e à resistência da população negra no Brasil, a comunidade trans, por meio de suas organizações, reafirma pontos que precisam ser reconhecidos e valorizados. Entre eles: a predominância de pessoas negras entre as vítimas de assassinatos trans; a profunda vulnerabilidade social de travestis e mulheres trans negras; e a atuação conjunta da transfobia e do racismo na produção dessas violências. As organizações também lembram que a base do movimento trans no país é majoritariamente negra. Nesse contexto, voltam seus esforços para a defesa de políticas públicas que necessariamente incorporem o recorte racial como dimensão de equidade e reparação.
O Instituto da Mulher Negra (Geledés) apresenta dados da pesquisa “Travestilidades Negras”, realizada pelo Fonatrans, evidenciando que a população trans negra no Brasil enfrenta múltiplas e sobrepostas formas de opressão relacionadas a raça, gênero e outros marcadores sociais. Em entrevista ao Instituto, Jessyka Rodrigues, coordenadora do estudo, ressaltou a importância de uma perspectiva interseccional para compreender como racismo e transfobia se articulam nesse contexto, enfatizando que essas violências se manifestam simultaneamente e se somam a outros eixos de discriminação, como o capacitismo.
O Fonatrans (Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros) é um espaço nacional que reúne e fortalece a militância de travestis e transexuais negras e negros, seja de forma individual ou por meio de organizações civis. Sua atuação busca dialogar com o poder público, o terceiro setor e a iniciativa privada para propor e ampliar políticas públicas voltadas a esse grupo. Reconhecido como parte do movimento social LGBT organizado, o fórum trabalha pela garantia de direitos e pelo enfrentamento ao racismo, ao preconceito e às discriminações baseadas em identidade de gênero, raça e cor.
Violência
De acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), em 2024, 122 assassinatos de pessoas trans, sendo 96% travestis e mulheres trans negras e pobres. Além disso, apenas uma em cada cinco mulheres trans possui emprego formal, e as mulheres trans negras ganham até 80% menos que as brancas (IPEA), vivendo em condições de extrema vulnerabilidade. De acordo com a ANTRA, a prevalência do HIV entre travestis e mulheres trans segue alarmante, atingindo uma média de 40%, o que, segundo a Associação, reflete a ausência de políticas públicas integrais de saúde e o impacto do racismo institucional.
A ANTRA levou esses dados à Organização das Nações Unidas (ONU) em um documento que denuncia o impacto do racismo e da transfobia na vida de pessoas trans negras no Brasil, com contribuições para o 5º Período de Sessões do Fórum Permanente sobre Pessoas Afrodescendentes, destacando a urgência de enfrentar o racismo e a transfobia que atravessam as vidas de travestis e mulheres trans negras no Brasil. Ainda segundo relatórios anuais da Associação, o Brasil é, pelo 15º ano consecutivo, o país que mais assassina pessoas trans e travestis no mundo.
Nesse cenário, o Instituto Federal do Tocantins (IFTO) desenvolve, por meio de seus núcleos, a promoção da diversidade, do respeito e da equidade. Com campanhas, canais de diálogos e múltiplas ações de inclusão, reconhece a importância de fortalecer políticas e práticas institucionais que acolham a pluralidade de identidades presentes em sua comunidade acadêmica.
(Fonte: ANTRA; Geledés - Instituto da Mulher Negra; Fonatrans)